person stands on brown pathway

Caminhadas me acalmam, me ajudam a pensar e devolver as ideias para o lugar. Consigo jogar no lixo as paranoias e entender mais sobre mim. Cada dia é uma reflexão diferente e, hoje, lembrei de como é importante ter com quem contar quando tudo desmorona. Quando outros abandonam. Quando a dor corrói. Quando… a ponta da lança falha…e me disseram que ela não podia falhar, mas falhou.

E por sorte, nessa hora tive pessoas ao meu lado que me ajudaram a consertar tudo. Porém, só elas não adiantariam de nada se não fosse pela mais importante: eu.

Hoje tenho a mim, mas nem sempre foi assim. Já me perdi na bagunça do outro. Acreditava em toda crítica e em toda opinião. Levava em conta o que o outro falava e ignorava o que eu pensava ou sentia. Me deixava depender emocionalmente de outro que nunca cuidou ou cuidaria de meus sentimentos. Me permitia ser infeliz por medo de estar sozinha.

Isso fazia o meu “eu” se afastar cada vez mais. Ia para longe a cada rejeição até chegar ao ponto de estar tão distante que eu fiquei anestesiada. Eu não sentia, eu não pensava, eu não me via.

Não sei por que esta lembrança me veio à mente, já faz tanto tempo. Hoje não sou mais assim. Eu me encontrei. Estou aqui, viva, sentindo o vento bater em meu rosto enquanto caminho. Alguém me disse que o vento serve para nos sentirmos vivos novamente (foi ele).

Acho que sei o porquê dessa lembrança. Eu voltei a mim em um dia qualquer de setembro. Lembro-me de acordar, tomar um banho, lavar o cabelo e me sentir revigorada de uma forma que nunca me senti antes. Depois disso, a vontade de me arrumar voltou. Eu descobri que ser vaidosa era algo necessário para mim e não para o outro.

Desde então nunca me deixei. Sei o que o homem é lobo do homem (ou a mulher), por isso me observo constantemente. Me dou a atenção devida e merecida, me preservo, me priorizo, para não me perder de novo.

E a essa altura do campeonato (e da caminhada) já percebi que serei sempre eu no final das contas. Isso deveria me assustar, mas me deixa aliviada e satisfeita. Eu gosto da minha companhia e de quem eu sou (ainda bem).

O aprendizado foi  doloroso, mas foi feito. Porque quando a ponta da lança falhou (quando ele me deixou), houve quem me salvasse. Eu estava aqui para mim e me levar adiante nesta caminhada que está bem longe de acabar.