two women sitting on chairs beside window

Saiu do banho, pegou a toalha e deu uma sacudida, olhou um lado, depois outro. A Flávia já devia estar esperando lá fora, por isso precisava se vestir rapidinho, pensou. Deu aquela vistoriada no cômodo, pegou os sapatos, bateu no chão na vertical, depois na horizontal, tudo certo. 

Finalmente estava pronta para sair. Abriu a porta, olhou com cuidado o batente. Dos lados, em cima, embaixo. A Flávia já estava no portão, batendo o pézinho, indicando que já passou da hora de sair. 

Por que está andando assim? Tá quase no meio da rua…

Esse caminho é de lei, sempre tem barata… 

Êta medo bobo esse, nunca te entendi direito, vive pra fugir de um serzinho tão pequeno que não faz nada!

Pequeno e asqueroso. Agora, que não faz nada, é pura mentira… quando balança aquelas anteninhas, é porque quer atacar. 

De onde você tira isso, Tainá? Barata não ataca não. Nem dá tempo, só vir com a chinelada e pá pum, ela já era. 

E se for voadora? O que se faz?

Espero ela pousar e chinelada de novo. Já era. 

Eu saio de casa isso sim. Só volto quando ver que alguém matou. E nem adianta me falar que ela desapareceu, preciso ver o cadáver. 

Quero só ver quando for morar sozinha, vai sair correndo toda vez, é?

Ah, eu tenho meus planos. Já falei com minha mãe, só saio da casa dela se for pra morar com alguém que mate essa desgraçada.

Coitado do Bruno, vai ter que te acudir toda vez. 

Ah! A gente terminou… esqueci de te contar…

De novo, Tainá? Não fica mais de 3 meses com ninguém, menina. Terminaram por quê? 

Ele tinha mais medo de barata do que eu… nunca ia dar certo. Uma pena! 

Gostava dele? 

Gostar, eu gostava, mas tenho minhas prioridades. 

Você me mata de rir Tainá… Tainá!? Onde essa menina se meteu?

CREC! 

Ah, já entendi. Pronto Tainá, já pode voltar.