Piso na areia. Em um instante meus pés se conectam, entendem que pertencem a esse lugar. Ando mais a frente na direção daquele que me chama: o mar.

Me encontro com suas águas, reconheço o meu lugar de mulher sereia que, sem saber porque, se obriga a viver em terra firme.

Viver em um mundo que não me merece, não me compreende. Um mundo que não tem o suficiente para me fazer feliz.

A água vai tomando conta de meu corpo, mas eu não temo. Estou mais confortável do que nunca. Totalmente à vontade, pois sei que ela me pertence e eu pertenço a ela.

Sinto a força da natureza, a força motriz que me motiva a caminhar, que me motiva a existir, recarregando minhas energias dia após dia.

Contemplo o céu, que se reflete no mar, meu lar. Agradeço sua imensidão, sua proteção e a minha casa.

Em sinal de respeito, me adentro um pouco mais ao mar e me agacho, deixando a água me cobrir cada vez mais.

Tomo consciência da pessoa que sou, a menina que não deseja mais correr ou caminhar, apenas nadar.

Fecho os olhos, respiro e sorrio…

Num rompante, entro de uma só vez na água, num mergulho rápido e preciso.

Desapareço para o mundo e volto para quem sempre esteve a minha espera, o meu verdadeiro lar, o mar.